Algumas cidades assumem o turismo como atividade
econômica. Isso é fundamental para que o potencial do turismo do ponto de vista
de investimentos também se traduza, para a própria sociedade local, em
oportunidades de emprego e renda. Outras, porém, possuem todas as condições,
mas falta essa vontade, quer pelo desconhecimento do significado, quer pela
ausência do Poder Público em realizar um trabalho de sensibilização, juntamente
com um processo gradual e contínuo de cada cidadão se sentir titular de
direitos e ter a cidade como sua. A cidade bem cuidada passa a ser a casa que
todos os vizinhos admiram e querem conhecer, assim também é a cidade. O
restaurante que possui além de pratos inusitados, o zelo e o tempero como
diferenciais. O hotel que mais que a estalagem oferece informações da cidade,
do Estado e sugere opções que podem agradar ao hospede. O taxista que com o
sotaque peculiar de cada região vai contando as histórias do dia-a-dia como
causos que, por vezes, chegam ao hilário e tornam o trajeto algo surreal e
inesquecível. Mas tudo isso, perde o significado quando, não se tem sinalização
e a sociedade não encontra-se preparada para mostrar a “cozinha” e o jeito todo
especial de fazer aquela receita da vovó, que tem como principal componente a
simpatia, o querer agradar através de doses homeopáticas extraídas do
sentimento presente no coração. O
turismo não é mero deslocamento de pessoas de um local para outro, é antes de
tudo uma busca e que somente se realiza se os “donos da casa” facilitarem a
localização, a aquisição e o consumo. A cidade turística não é um mapa com
localizações mas, com gente disposta a prestar-se a servir, profissionais ou
não, mas que compreendem o significado social e econômico de um visitante na
sua cidade. A ação do Poder Público é determinante para a auto-estima, a posse
da cidade, dos bens, dos serviços, da história, da cultura (...) pelos seus
legítimos titulares. Começa por um ponto de ônibus que respeite ao menos a sua
dignidade, o transporte coletivo com qualidade e pelo preço compatível, cidade
limpa, arborizada, sinalizada e chega a bens e serviços que são essenciais em
qualquer lugar do mundo e não podem ser negados na cidade turística: saúde,
educação, moradia, segurança e distribuição de renda e oportunidades. Vejo,
particularmente Cuiabá como uma cidade de potencial fantástico para o turismo
receptivo. História, arquitetura, cultura, artes, gastronomia, natureza,
negócios, fé, entre outros produtos podem ser vistos e percebidos por todos,
ainda que não possuam o melhor tratamento. Com tantas secretarias, quem sabe o
alcaide consiga um projeto capaz de dinamizar esse setor tão importante que
mexe com valores econômicos, mas principalmente, com sentimentos.
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